
Emi Monteiro <3

O texto a seguir é uma alegoria poética da minha vida. Favor não interpretar literalmente. "Vivi de carnificina… Pura Carne de Açougue! Fui em busca de Mundos Possíveis. Agora uso o 7 como talismã"!

Na quarta-feira passada, estive no Cine Passeio para duas sessões de Natal Amargo, novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Uma pela manhã, exclusiva para a imprensa, a convite do Garagem. E outra pela noite, no evento de pré-lançamento (promoção da Warner) para convidados e público, com retirada de ingressos gratuitos uma hora antes da sessão, prática da casa para grandes eventos. Também tive o prazer de fazer uma ambientação no Cine Passeio para receber o público nesta noite especial.
Nesta quinta-feira, Natal Amargo entra em cartaz nas salas de cinema de todo o Brasil, precedido de agitação e comentários nas redes sociais.
O exercício de sentar e escrever me recorda a Pedro Almodóvar.
Em sua filmografia, Pedro Almodóvar nos apresenta diferentes escritores e escritoras, sejam de romances rosas, textos policiais ou roteiros. O exercício da escrita é uma constante em sua obra; seus roteiros são literários, e talvez essa seja a fórmula do sucesso de um realizador com mais de cinquenta anos de produção.
A metalinguagem e a quebra da quarta parede não são novidade, nem exclusividade de sua nova película, Natal Amargo.
Relaciono brevemente filmes da obra de Pedro Almodóvar que têm o protagonismo da figura/entidade “diretor de cinema autoral”: A Lei do Desejo (1987), Ata-me (1990), Má Educação (2004), Dor e Glória (2019) e o próprio Natal Amargo.
Em 1995, Pedro Almodóvar lança A Flor do Meu Segredo. Chamo esse filme de entressafra produtiva: nesta película, cheia de questionamentos e inconclusões, moram argumentos de outros filmes futuros, como Volver (2006). Não podemos esquecer que, após A Flor, Pedro Almodóvar nos presenteia, em 1997, com o incrível Carne Trêmula. Este é o início de uma fase magistral de seu cinema, que nos traz joias como Tudo Sobre Minha Mãe (1999) e Fale com Ela (2002).
Todo esse panorama é para dizer que Natal Amargo é um filme de inconclusões, questionamentos, um incômodo processo que todo criativo já viveu. O incrível é ver Pedro Almodóvar transformar a busca da narrativa e o medo da estagnação em um filme tão provocante.
Os elementos estão aqui, a fórmula está aqui, sua estética continua latente. Entendo que, dessa entressafra, virá uma nova fase memorável.
No auge de seus 76 anos, Pedro Almodóvar continua produtivo e vigente — fato ainda mais provocador em uma cultura tão etarista.
Natal Amargo nos apresenta dois diálogos amparados na obra da grande cantora mexicana Chavela Vargas, de uma delicadeza e pulsão colossais. Inclusive, Amarga Navidad é uma canção clássica e sofrível interpretada por Chavela Vargas.
Noto também que, desde Dor e Glória, Pedro Almodóvar vem trabalhando o envelhecimento com um olhar de vivência profundo. Os dilemas vividos pelos jovens dos anos 80 hoje dão lugar aos dilemas das pessoas que foram jovens nessa época e que ainda têm suas carreiras, angústias, felicidades, experiências sexuais…
Em minha percepção, não é possível encontrar exatamente o que queremos em um filme, uma vez que ele foi escrito por uma pluma que não é a nossa.
O maior ato de coragem de Pedro Almodóvar é permitir que sua obra amadureça junto com ele.
O humor, o erótico e o colorido estão vivos neste filme, mas a conclusão de uma história, não. A arte não tem compromisso obrigatório com conclusões. Ah, mas o arco do personagem não foi coerente, existem furos na história — não seria a vida assim?
Neste momento em que cada vez mais Pedro Almodóvar trabalha o envelhecimento, eu me pego pensando: no processo de demência que talvez possamos viver, ou não, no futuro, oriundo do próprio envelhecer, será que este estado nos trará alguma conclusão satisfatória para o final do “filme da nossa vida”?
E, por fim, o amargo também faz parte do sabor.

Texto e ilustração de Edson Godinho
Em 2024, por ocasião da comemoração dos 75 anos de Pedro Almodóvar, realizei a exposição Ata-me Almodóvar no Centro Cultural da Espanha em Curitiba, na qual apresentei ilustrações de alguns de seus filmes mais relevantes em minha opinião, juntamente com uma expografia de objetos que dialogavam com o tema.
Em 2026, Almodóvar completa 77 anos, como homenagem, no segundo semestre irei ampliar essa exposição para que contemple todos os filmes do diretor espanhol.



















Hoje trabalhamos com a energia do amor, e nada é mais poderoso do que a energia do amor!
Conjuramos costumeiramente o ódio, a inveja, a soberba. Nossos sentimentos negativos são mais constantes e diários do que conseguimos assumir. Talvez, porque sempre parece faltar, sempre parece estar vazio.
Quando o amor se faz presente, por um amigo, um filho, um amante, a egrégora criada é ampla, luminosa e imbatível.
Estar feliz pela felicidade do outro é dádiva, uma sensação única que eleva o espírito.

Meu objetivo de dedicar-me de forma mais ávida à escrita falhou. Eu realmente pensei assim durante alguns meses deste ano de 2026, porém agora entendo o intervalo como necessário e possível para a percepção que chegou. Não, não falhei, apenas tomei o tempo ao meu favor.
Acordo com vigor diário e, ao olhar o espelho, entendo que não tenho mais meus 20. Meus vinte anos foram tão intensos, se anunciaram infindáveis. Agora o espelho reflete meus 40 anos, traduzidos em minhas escolhas. Tendo a refletir sobre meu contentamento na construção de meu físico e mente até aqui.
O que aconteceu no período em que não consegui exercer minha escrita? Eu posso definir como: meu metafísico encaixou em meu corpo do hoje. Pausa profunda. Vou me render à obviedade, sou bom nesse exercício. No instante, minhas experiências parecem mais leves, e minha velha companheira, a Culpa, fraturou-se.
Não necessito fazer caminhos antigos, rever fotos ou perfis de pessoas do ontem para me conectar. Antes de sentar e começar a digitar essas poucas palavras, estava na rua. Senti a leve brisa da noite curitibana e reafirmei a potência das minhas escolhas nos últimos 20 anos.
Esta crônica é um esboço deste período criativo do meio. Estou interessado, talvez pela primeira vez neste encarne, no hoje!

Dominante 2026
2024 – exposição sensorial – Jacarezinho, Paraná.

Na foto Carlos Daniel Dutra.

No começo de 2025, as cartas me disseram que eu deveria voltar a escrever, que minha arte precisava ser expressa em linhas.
Confesso que sempre tive prazer na escrita, autoral, como tudo que faço. Me confundo em determinados momentos, pois até meu ato mais banal tem uma carga emocional.
Em 2025 eu não escrevi; fiz muitas outras coisas, mas realmente não consegui sentar para elaborar meus sentimentos. Digo com essas palavras, pois minha escrita é sempre muito expositiva.
Aos 20 anos eu escrevia sobre meus amores, e meus amigos de toda uma vida bem sabem que tive muitos amores, amores intensos.
Nos dias de hoje eu tenho preguiça de conversar. Me ponho a criticar uma série de comportamentos desta nova geração, mas acabo repetindo alguns. Minha paciência para as coisas práticas da vida teve uma redução drástica. Percebe que flerte hoje é algo prático para mim? Para meu eu juvenil era rito; a conquista tinha algo de sagrado.
Me pergunto se estamos tão desinteressantes como espécie, ou se fui eu que envelheci e perdi a paciência. Não, não vivo carrancudo; muito pelo contrário, eu sorrio demais, sou dado a muitas gentilezas, e também estou cansado disso.
Talvez seja um reflexo do excesso de informação, ou do convívio menos intenso com gente que me coloca do avesso. Quando sou revirado, entro em um estado único e criativo.
Quem me conhece sabe que não paro; a hiperatividade grita, mas tenho me achado preguiçoso. Daí paro, faço uma lista de tudo que tenho feito, e me acho louco. Talvez meu problema seja tempo curto, mas nunca consegui negociar um dia de 48 horas.
Queria mais tempo, mais tempo sem ter que envelhecer. Envelhecer é ótimo em tantos aspectos, mas quanto maior o tempo de vida, mais chato ficamos. Falo no coletivo, visto que o ser humano é um porre; gosto de dizer: o fulano é um porre, minha avó falava assim.
Minha avó era chic até na falta de classe; talvez por esse motivo seu apelido era Cisnei na juventude.
Eu não posso acabar esse texto; ele é como a vida. Amanhã, provavelmente, eu serei tomado por um bom humor absurdo que me assola todos os dias e vou dizer:
Viver é um presente!


