
No começo de 2025, as cartas me disseram que eu deveria voltar a escrever, que minha arte precisava ser expressa em linhas.
Confesso que sempre tive prazer na escrita, autoral, como tudo que faço. Me confundo em determinados momentos, pois até meu ato mais banal tem uma carga emocional.
Em 2025 eu não escrevi; fiz muitas outras coisas, mas realmente não consegui sentar para elaborar meus sentimentos. Digo com essas palavras, pois minha escrita é sempre muito expositiva.
Aos 20 anos eu escrevia sobre meus amores, e meus amigos de toda uma vida bem sabem que tive muitos amores, amores intensos.
Nos dias de hoje eu tenho preguiça de conversar. Me ponho a criticar uma série de comportamentos desta nova geração, mas acabo repetindo alguns. Minha paciência para as coisas práticas da vida teve uma redução drástica. Percebe que flerte hoje é algo prático para mim? Para meu eu juvenil era rito; a conquista tinha algo de sagrado.
Me pergunto se estamos tão desinteressantes como espécie, ou se fui eu que envelheci e perdi a paciência. Não, não vivo carrancudo; muito pelo contrário, eu sorrio demais, sou dado a muitas gentilezas, e também estou cansado disso.
Talvez seja um reflexo do excesso de informação, ou do convívio menos intenso com gente que me coloca do avesso. Quando sou revirado, entro em um estado único e criativo.
Quem me conhece sabe que não paro; a hiperatividade grita, mas tenho me achado preguiçoso. Daí paro, faço uma lista de tudo que tenho feito, e me acho louco. Talvez meu problema seja tempo curto, mas nunca consegui negociar um dia de 48 horas.
Queria mais tempo, mais tempo sem ter que envelhecer. Envelhecer é ótimo em tantos aspectos, mas quanto maior o tempo de vida, mais chato ficamos. Falo no coletivo, visto que o ser humano é um porre; gosto de dizer: o fulano é um porre, minha avó falava assim.
Minha avó era chic até na falta de classe; talvez por esse motivo seu apelido era Cisnei na juventude.
Eu não posso acabar esse texto; ele é como a vida. Amanhã, provavelmente, eu serei tomado por um bom humor absurdo que me assola todos os dias e vou dizer:
Viver é um presente!
