Estou em uma entressafra. Pausa profunda.

Meu objetivo de dedicar-me de forma mais ávida à escrita falhou. Eu realmente pensei assim durante alguns meses deste ano de 2026, porém agora entendo o intervalo como necessário e possível para a percepção que chegou. Não, não falhei, apenas tomei o tempo ao meu favor.

Acordo com vigor diário e, ao olhar o espelho, entendo que não tenho mais meus 20. Meus vinte anos foram tão intensos, se anunciaram infindáveis. Agora o espelho reflete meus 40 anos, traduzidos em minhas escolhas. Tendo a refletir sobre meu contentamento na construção de meu físico e mente até aqui.

O que aconteceu no período em que não consegui exercer minha escrita? Eu posso definir como: meu metafísico encaixou em meu corpo do hoje. Pausa profunda. Vou me render à obviedade, sou bom nesse exercício. No instante, minhas experiências parecem mais leves, e minha velha companheira, a Culpa, fraturou-se.

Não necessito fazer caminhos antigos, rever fotos ou perfis de pessoas do ontem para me conectar. Antes de sentar e começar a digitar essas poucas palavras, estava na rua. Senti a leve brisa da noite curitibana e reafirmei a potência das minhas escolhas nos últimos 20 anos.

Esta crônica é um esboço deste período criativo do meio. Estou interessado, talvez pela primeira vez neste encarne, no hoje!

Dominante 2026

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