{"id":392,"date":"2022-07-10T19:13:55","date_gmt":"2022-07-10T19:13:55","guid":{"rendered":"http:\/\/edsongodinho.com\/?p=392"},"modified":"2022-07-10T19:13:55","modified_gmt":"2022-07-10T19:13:55","slug":"a-ascensao-de-diana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/edsongodinho.com\/?p=392","title":{"rendered":"A Ascens\u00e3o de Diana"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/edsongodinho.com\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/edson-godinho-7-eu-que-sou-eu-1024x1024.png\" alt=\"\" data-id=\"393\" data-full-url=\"http:\/\/edsongodinho.com\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/edson-godinho-7-eu-que-sou-eu.png\" data-link=\"http:\/\/edsongodinho.com\/?attachment_id=393\" class=\"wp-image-393\" srcset=\"https:\/\/edsongodinho.com\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/edson-godinho-7-eu-que-sou-eu-1024x1024.png 1024w, https:\/\/edsongodinho.com\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/edson-godinho-7-eu-que-sou-eu-300x300.png 300w, https:\/\/edsongodinho.com\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/edson-godinho-7-eu-que-sou-eu-150x150.png 150w, https:\/\/edsongodinho.com\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/edson-godinho-7-eu-que-sou-eu-768x768.png 768w, https:\/\/edsongodinho.com\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/edson-godinho-7-eu-que-sou-eu.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Na sexta-feira eu fui ao bal\u00e9. Digo que, posso ter, ou me senti por algum momento na primeira cena de \u201cHable com Ella\u201d de Pedro Almod\u00f3var (2001). Na ocasi\u00e3o n\u00e3o assisti \u201cCaf\u00e9 M\u00fcller\u201d, t\u00e3o pouco vi Pina Bausch, mas sim, eu tive outro encontro profundo e muito determinante.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha sexta-feira foi intensa como de costume. Sou intenso, e pessoas que n\u00e3o s\u00e3o intensas tem uma dificuldade tremenda para entender a intensidade dos intensos. E n\u00f3s intensos temos uma dificuldade tremenda para entender as pessoas que nos soam mornas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tive um encontro que talvez estava relutando em ter por conta de um dia demasiadamente adulto. Por\u00e9m minha Perp\u00e9tua \/ Ism\u00eania veio at\u00e9 mim e fomos ao bal\u00e9. Eu me deparei com uma obra linda, mas os corpos em cena, as luzes, os gestuais me levaram para outro lugar, um lugar de doze anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da regress\u00e3o devo advertir a voc\u00ea, que me l\u00ea, que mais uma vez me sinto como Poncela. Eu novamente me iludo, e finjo que meu teclado preto \u00e9 a m\u00e1quina de escrever azul de \u201cLa Ley Del de Deseo\u201d de Pedro Almod\u00f3var (1987).<\/p>\n\n\n\n<p>Eu vi em cena, baixo a luz \u00e2mbar um dos fantasmas sexuais de Diana, eu posso ter me enganado, n\u00e3o era apenas uma representa\u00e7\u00e3o, era sim um dos fantasmas sexuais de Diana.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 doze anos atr\u00e1s eu resolvi brincar, dei a Diana, a deusa sagrada da ca\u00e7a, representada pelos chifres do cervo, casta, ares profanos de Afrodite. Pensava eu na \u00e9poca que todo corpo profano odiado pela massa, era na verdade o corpo mais desejado. O corpo mais comungado, mesmo que no escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim nasceu Diana, meu \u00faltimo filme de roteiro. Diana era todo o desprezo que h\u00e1 doze anos atr\u00e1s eu nutria pelo meu ser, pelo meu corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como uma crian\u00e7a peralta e desavisada das consequ\u00eancias, eu, t\u00e3o s\u00f3 eu, e realmente muito s\u00f3, decidi brincar com meus traumas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diana \u00e9 t\u00e3o suja como sua est\u00e9tica, Diana \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o do meu trabalho art\u00edstico que venho arrastando por encarna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca aos meus vinte cinco anos, o plano de um curta metragem se transformou em uma edi\u00e7\u00e3o de um longa-metragem, de nome \u201cDiana \u2013 Tudo ou Nada\u201d. Composto por imagens de Diana agonizando, de Diana morrendo de medo dos seus fantasmas sexuais, que foram no filme personificados por belos corpos de jovens rapazes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2010 eu havia assistido \u201cThat Man: Peter Berlin\u201d de Jim Tushinski (2005), e absorvi todo o nojo pelo sexo que Peter desenvolveu no auge da AIDS na Nova York dos anos 80. Era eu uma cabecinha cheia de refer\u00eancias, mas muito confusa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro das experimenta\u00e7\u00f5es de Diana eu fiz cenas de um animal ferido, e sequ\u00eancias de uma banana apodrecendo no canto. E na realidade quem estava ferido, e apodrecia era eu.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma \u00e9poca de Diana, tamb\u00e9m rodei o curta-metragem \u201cSobre D\u00f3ria\u201d um roteiro que tinha escrivinhado dez anos antes. D\u00f3ria ganhou vida, D\u00f3ria foi para frente &#8211; ao que pese que hoje n\u00e3o posso exibir o filme, pois n\u00e3o tenho os seus direitos autorais. Mas Diana foi me aterrorizando, me envenenando e eu n\u00e3o pude concluir sua edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ass: Laura P.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o terminei Diana e fui embora para Curitiba, enquanto escrevo este texto revelador, eu escuto \u201cAt Last\u201d na voz de Etta James, por\u00e9m n\u00e3o me consumo com cervejas baratas e cigarros como faria na \u00e9poca de Diana.<\/p>\n\n\n\n<p>Diana morreu em 2010, mas deu vida ao meu momento mais emblem\u00e1tico como artista, o \u201cCarne de A\u00e7ougue\u201d. Toda a confus\u00e3o e pulsa\u00e7\u00e3o que adquiri no processo de Diana se transformou em uma s\u00e9rie de v\u00eddeo-artes, desenhos e performances cujo tema central era apenas o desprezo a mim mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tive que matar Diana, tive que degol\u00e1-la com minhas pr\u00f3prias m\u00e3os, e ap\u00f3s seu \u00faltimo suspiro disparei contra Diana 7 tiros mortais em seu peito. E s\u00f3 assim sa\u00ed desta fase, s\u00f3 assim veio \u201cMudos Poss\u00edveis\u201d e agora \u201c7\u201d que utilizo como meu Talism\u00e3. Eu pedi minha licen\u00e7a: \u201cDeixa-me Matar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca eu propus ao interlocutor que passasse a odiar Diana, pois ela merecia&#8230; Fomos t\u00e3o odiados&#8230; Eu e Diana um par ensandecidamente complementar.<\/p>\n\n\n\n<p>Volto aqui, aos dias de hoje, no momento em que meu corpo eternamente profano sentou-se na cadeira do teatro e se apavorou ao rever Diana no bal\u00e9. Um belo trabalho, e um corpo, um fantasma que me atravessou.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pensem que Diana \u00e9 uma diaba, n\u00e3o. Diana foi, e \u00e9, e sempre ser\u00e1 a deidade, que me deu permiss\u00e3o para reencarnar vivo nesta exist\u00eancia, pela primeira vez em milhares de anos. Diana \u00e9 o meu eu do futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora me sinto tocado como por um beijo divino, e bem acolhido no meu recente reencarnio, que se iniciou apenas h\u00e1 quatro anos. Sou uma crian\u00e7a c\u00f3smica, com uma constela\u00e7\u00e3o na barriga, dando as m\u00e3os para Emmanuel que est\u00e1 me guiando para a quinta dimens\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sexta-feira eu fui ao bal\u00e9. Digo que, posso ter, ou me senti por algum momento na primeira cena de \u201cHable com Ella\u201d de Pedro Almod\u00f3var (2001). Na ocasi\u00e3o n\u00e3o assisti \u201cCaf\u00e9 M\u00fcller\u201d, t\u00e3o pouco vi Pina Bausch, mas sim, eu tive outro encontro profundo e muito determinante. 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